O Bauru Chic

UM POUCO DA HISTÓRIA

 

Enquanto professor da UNESP, o meu interesse de pesquisa eram as Politicas Públicas de Lazer. Lendo um texto do Prof. Dr. Antonio Carlos Bramante, ele recomendava que, para se formular uma política pública de lazer para uma cidade, era necessário descobrir qual a vocação dessa cidade para o lazer.  Assim sendo, comecei a pensar na vocação de Bauru para o lazer.  Se fosse uma cidade como Brotas,  por exemplo, essa tarefa seria muito fácil: a vocação são os esportes radicais e em contato com a natureza.  Em se tratando de Bauru, pensei: - aqui não temos represas, rios com corredeiras, cachoeiras, montanhas e etc.  E, mesmo tendo o acanhado e mal conservado Parque Vitória Régia, o Teatro Municipal, o Parque Ecológico Tenri, o Zoológico Municipal, esses espaços carecem de uma programação permanente e também e principalmente de animadores sócio-culturais.  Por outro lado, temos o principal patrimônio cultural do Estado que é também o sanduíche mais famoso do Brasil, o Bauru.   Assim quem vai a Roma quer ver o Papa, em proporções bem menores, quem visita Bauru quer saborear a receita correta do Sanduíche Bauru e também saber um pouco da  história da sua criação.  Assim sendo, a  pergunta que me fiz foi a seguinte: - como esse nosso maior patrimônio esta sendo tratado aqui na nossa cidade? 

Corria o ano 2000 e aqui na cidade só tinha um lugar onde o sanduíche era preparado.  Entretanto, o lugar não era dos mais acolhedores em termos de localização e conservação, por isso não recomendado para receber turistas.  Assim sendo, o melhor que eu tinha a fazer era criar um lugar onde o Sanduíche Bauru recebesse um tratamento digno da sua fama e importância cultural.  Resolvido então que eu abriria uma sanduícheria, era preciso saber qual era a receita correta do sanduíche.  Comecei a pesquisar pela internet e recolhi muitas receitas do Bauru, uma diferente da outra. Tinha desde aquela que leva presunto, queijo e tomate, num pão de forma, até aquela que eu comia quando estudava em São Carlos e que levava um bife de coxão mole, tomate, queijo, e ai num pão francês.  Sabendo da minha intenção de abrir um lugar para produzir o sanduíche, um amigo meu de Piracicaba, o Wadico Libório, que é um chef de cozinha da maior qualidade, me deu uma  receita do sanduíche publicada pela Revista Gula de gastronomia.  A receita era parte de uma reportagem que a revista fez no Ponto Chic do Largo do Paissandú em São Paulo, ou seja, o lugar onde o Sanduíche Bauru foi criado.  Achei que esta era a receita com mais credibilidade e, por isso adotei-a.

Definida a receita, agora faltava o nome e a logomarca do lugar.  Alguns nomes vieram à minha cabeça: Casimiro's, Bauru de Bauru e outros.  Entretanto, optei pela combinação Bauru (como cidade e nome do sanduíche) e Chic em homenagem ao Ponto Chic.  Definido o nome e a receita, faltava agora criar uma logomarca que desse credibilidade ao nosso produto.

A inspiração da logomarca veio de uma loja da rede de fast food KFC (Kentucky Fried Chicken) que se instalou na Av. Juscelino Kubistchek em São Paulo, há muitos anos atrás e que hoje já não existe mais. A logomarca da KFC estampava e até hoje estampa, a imagem do criador da rede. Por esse motivo eu também queria estampar na logomarca do Bauru Chic uma foto do criador do sanduíche porque, mesmo aqui na nossa cidade, as pessoas não sabiam direito quem era o criador do sanduíche e muito menos como era o rosto dele. 

Bom, a foto teria que ser antiga, mais ou menos da mesma época de quando ele criou o sanduíche.  Entrei em contato com a Arquiteta Patrícia Pinto, filha do Casimiro Pinto Neto e ela me informou que aqui em Bauru havia uma foto como a que eu queria. Me disse que a família tinha acabado de mandar algumas fotos para o órgão responsável pela cultura da nossa cidade, e que eu poderia utiliza-la da maneira que desejasse já que toda a família estava me apoiando na empreitada e por isso deram por escrito a autorização para usar a imagem.  Depois vim a saber que este apoio tinha a ver com a falta de reconhecimento pela nossas autoridades ao maior divulgador da nossa cidade. Em alguns lugares do Brasil chega-se ao absurdo de  Bauru significar muito mais sanduíche do que nome de cidade. 

Minha intenção era colocar uma frase na logo que sintetizasse a minha vontade de contar a história da criação do sanduíche. E a que me veio na minha cabeça foi "O Sanduíche com História".  Isto porque por trás da criação havia toda uma história que ligava o nome da nossa cidade ao nome do sanduíche. Com o nome, a foto e a frase definidos, falei com meu amigo Designer Marcos Berteloni de Londrina-PR, e ele começou a brincar com esses elementos que eu já havia definido.  Por fim ele veio até a minha casa e aqui definimos as cores e o desenho definitivo da logomarca.

Pronto tudo isso, comecei a procurar o lugar para instalar o Bauru Chic.  Como o sanduíche é um atrativo, se não o maior, para quem visita Bauru, o lugar teria que ser de fácil acesso e também que fosse fácil para os bauruenses indicarem.  Aqui no interior, nós temos a mania de dar uma referência para os enderêços, por isso teria que ser perto de alguma coisa conhecida.  Por sorte encontrei um espaço ao lado do Shopping e em frente ao Wal-Mart, melhor impossível.  No prédio funcionava uma Academia de Ginástica que não ocupava o prédio todo, parece até que tudo conspirava a favor do meu projeto.  Aluguei então este pequeno espaço (20 lugares) e comecei a adapta-lo para a minha sonhada sanduicheria.

Enquanto reformava o prédio e definia detalhes da iluminação, mobiliario, equipamentos e acabamentos, já estavamos no final do ano de 2003.  Num artigo do jornalista Fábio Sormani publicado num suplemento de final de ano do Jornal da Cidade, ele criticava nossos administradores por não capitalizar o famosos que a cidade produziu. Sugeria até que o nome da Avenida Nações Unidas fosse trocado pelo nome de Avenida Pelé.  Achei que ele tinha razão mas como eu não tinha poder para mudar o nome da tal avenida, eu podia sim colocar fotos desses famosos nas paredes do Bauru Chic e contar um pouco da história deles, principalmente a vivida aqui na nossa cidade, ou seja, antes da fama.  Comecei a correr atrás das fotos dos mais conhecidos: - Marcos Pontes (que estava se preparando na NASA para te tornar um cosmonauta), Pelé, Mauro Rasi, Edson Celulari, Eny Cesarino e de outros.  Bom, depois dessa decisão eu não contaria só a história da criação do sanduíche mas também desses famosos, por isso teria que alterar a frase da logomarca.   Isso foi fácil, foi só retirar o artigo "O" e manter Sanduíche com História.

Para contar a história da criação do Sanduíche Bauru, criei uma toalha de papel onde a história era contada em três idiomas: português, espanhol e inglês.  Hoje incluímos também a versão em alemão, texto sempre muito elogiado pelos alemães que nos visitam, pela sua qualidade. As versões em espanhol e inglês foram feitas pela Profa. Dra. Maria Eugênia Moratto e a em alemão pelo seu irmão Alexandre Penha Moratto.

Um outro problema que eu tinha que resolver era como seria apresentado o sanduíche para os clientes: - em caixinhas como as redes de fast food? Em bandejas? Assim, comecei a desenvolver idéias a respeito e cheguei a conclusão que colocar tão tradicional sanduíche numa caixinha seria uma heresia à sua tradição e importância.  A embalagem atual surgiu de uma imagem de criança que ficou na minha cabeça. Quando eu era criança e ia comprar pão na padaria do seu Waldemar Sanches lá em Mirassol, os pães eram colocados numa folha de papel, talvez daí a origem do tal papel de pão, e ai o balconista juntava duas pontas do papel na mão esquerda e duas na direita e, com um movimento rápido as duas pontas eram torcidas formando um pacotinho.  Não tive dúvidas, estava ai a embalagem dos meus sanduíches.  Comprei papel manteiga e comecei a treinar o embrulho, depois treinei o pessoal da cozinha e hoje nossos sanduíches são embrulhados de uma forma muito original.

Ainda nessa linha de criar soluções para alguns problemas,  nós colocávamos na mesa, acompanhando os sanduíches, os saches de maionese, ketchup e mostarda.  Embora tivessem lugar indicado para se abrir, nossos clientes acabavam mordendo as pontas da embalagem na tentativas de abri-las.  A cena não era das mais bonitas.  Esse problema foi resolvido de uma maneira muito simples. Depois de procurar no mercado por abridores de saches, que eram sempre ou muito grandes ou pouco higiênicos, acabei encontrando a solução para este problema na tesourinha escolar.  A idéia da embalagem do sanduiche e da tesourinha são elogiadas até hoje pelos nossos visitantes.

O Bauru Chic abriu suas portas no dia 3 de julho de 2004 com a missão de resgatar a receita original do Sanduíche Bauru, divulgar a história de sua criação e contar um pouco da história dos famosos que aqui nasceram ou daqui sairam para a fama. 

Quando da abertura do Bauru Chic, nosso cardápio contava com sómente três tipos de sanduíches, eu estava obsecado pela idéia de preparar a receita original.  Não demorou muito e começamos a colocar novos sanduíches (alguns sugeridos pelos clientes, como o Bauru Amadeu que foi sugerido pelo Dr. Mário Avelar). Hoje nosso cardápio conta com mais de 12 tipos de sanduíches.

No final de 2006, por sugestão da Profa. Dra. Maria Eugênia Moratto, colocamos um livro de visitas a disposição dos nossos clientes para que eles assinassem. Hoje estamos no terceiro livro e já contamos com mais de 11.000 assinaturas de pessoas das mais distantes regiões do mundo.  Isto sem falar que visitantes de todos os estados brasileiros já passaram por aqui e deixaram suas assinaturas.

 
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